A Maçonaria e a Independência do Brasil

Autor: omitido para evitar perseguições.

Desde sua descoberta em 1500, o Brasil foi uma colônia Portuguesa, sendo explorada desde então pela sua metrópole. Não tinha, portanto, liberdade econômica, liberdade administrativa, e muito menos liberdade política.

Como a exploração metropolitana era excessiva e os colonos não tinham o direito de protestar, cresceu e descontentamento dos brasileiros. Iniciam-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de Movimentos Nativistas, quando ainda não se cogitava na separação entre Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso país o ideal da liberdade. A primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão.

No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, alguns grupos pensaram na independência política do Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino. Ocorreram, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já existentes, de caráter maçônico tais como: Cavaleiros da Luz, na Bahia e Areópago de Itambé, na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem como pelas ações individuais ou de grupos de maçons.

Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1787, com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com jurisdição nacional, exatamente com a incumbência do levar a cabo o processo de emancipação do país. 1800/1801 - Maçons portugueses fundam no Rio de Janeiro a Loja "União", que mais tarde passou a denominar-se "Reunião" por terem a ela filiado outros maçons.
Com as Lojas "Constância" e "Filantropia", filiou-se em 1800 ao Grande Oriente Lusitano. Separou-se, porém, por terem surgido discórdias e filiando-se ao Grande Oriente da França, adotando o rito Moderno.

Em 1802 é instalada na Bahia a Loja "Virtude e Razão", da qual saíram, em 1807, a Loja "Humanidade" e, em 1813, a Loja "União".

Em 03 de março 1807, ressurge a Maçonaria no Brasil com a instalação da Loja "Virtude e Razão Restaurada", na Bahia.

No ano de 1808, D. João e toda família real, refugia-se no Brasil em decorrência da invasão e dominação de Portugal por tropas francesas, incitadas pelo jugo napoleônico.

Este fato trouxe um notável progresso para a colônia, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um Estado independente. D. João assina o decreto da Abertura dos Portos, que extinguia o monopólio português sobre o comércio brasileiro. O Brasil começa a adquirir condições para ter uma vida política independente de Portugal, porém sob o aspecto econômico, passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.

Em 1809, D. João, Príncipe Regente, ao receber uma longa lista de nomes de maçons, para serem presos, respondeu nesses termos: "Foram estes que me salvaram".
Também em 1809 funda-se em Pernambuco uma Loja da qual fizeram parte os padres Miguel Joaquim de Almeida e Castro, João Ribeiro Peixoto e Luiz José Cavalcante Lins. Esta Loja teve intuitos puramente políticos e os padres que faziam parte do seu Quadro tinham sido iniciados em Lisboa em 1807.

No ano de 1810 – Ocorre a expulsão dos franceses por tropas inglesas, que passam a governar Portugal com o consentimento de D. João.

Em 1812 funda-se, na freguesia de São Gonçalo, Niterói, a Loja "Distintiva". Essa Loja tinha sinais, toques e palavras diferentes das outras Lojas, tendo por emblema um índio vendado e manietado de grilhões e um gênio em ação de o desvendar e desagrilhoar. Era ela republicana e revolucionária. Denunciada, foi dissolvida, sendo lançados no mar, nas alturas da ilha dos Ratos, seus arquivos e alfaias.

Em 1813, na Bahia, é fundado o primeiro Grande Oriente com as Lojas "Virtude e Razão", "Humanidade" e "União", que adormeceu devido a desastrosa revolução de 1817.

No ano de 1815, D. João, adotando medidas progressistas, põe fim na situação colonial do Brasil, criando os Reinos Unidos de Portugal, Brasil e Algarve, irritando sobremaneira os portugueses.

Em 12 de dezembro de 1815, na residência do Dr. João José Vahia, é instalada a Loja "Comércio e Artes", que logo depois adormeceu.

Existia no Recife, em 1816, uma Grande Loja Provincial reunindo as Lojas "Pernambuco do Oriente", "Pernambuco do Ocidente", "Restauração e Patriotismo" e "Guatimozim".

- Ano de 1820 – Cansados da dominação e da decadência econômica do país, os portugueses iniciam uma revolução na cidade do Porto culminando com a expulsão dos ingleses. Estabelecem um governo temporário, adotam uma constituição provisória e impõem sérias exigências a . João (agora já com o título de rei e o nome de D. João VI), ou seja:

- Aceitação da constituinte elaborada pelas cortes,
- nomeação para o ministério e cargos públicos,
- sua volta imediata para Portugal.

O ano de 1821 começara para D.João VI como principiara o de 1807. O Grande Oriente Lusitano levara-o, quinze anos antes, a transferir a sede do governo monárquico da Nação Portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro. Decorrido três lustros, esse mesmo grande Oriente obrigá-lo-ia a retransferir a sede do seu governo do Rio de Janeiro para Lisboa.

Com receio de perder o trono e sem alternativa, face às exigências da Corte (Parlamento português), D.João VI regressa a Lisboa (Portugal) em 26 de abril de 1821, deixando como Príncipe Herdeiro, nomeado Regente do Brasil pelo Decreto de 22 de abril de 1821, o primogênito com então 21 anos de idade – PEDRO DE ALCANTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO SERAFIM DE BRAGANÇA E BOURBON. O Príncipe Dom Pedro, jovem e voluntarioso, aqui permanece, não sozinho, pois logo se viu envolvido por todos os lados de homens de bem, Maçons, que constituíam a elite pensante e econômica da época.

Apesar de ver ser aceitas suas reivindicações, os revolucionários portugueses não estavam satisfeitos. As cortes de Portugal estavam preocupadas com as perdas das riquezas naturais do Brasil e previam sua emancipação, como ocorria em outros países sul-americanos. Dois decretos, em 29 de setembro de 1821, de números 124 e 125 emanados das Cortes Gerais portuguesas são editados na tentativa de submeter e inibir os movimentos no Brasil. Um reduzia o Brasil da posição de Reino Unido à antiga condição de colônia, com a dissolução da união brasílico-lusa, o que seria um retrocesso, o outro, considerando a permanência de D. Pedro desnecessária em nossa terra, decretava a sua volta imediata.

Os brasileiros reagiram contra os decretos através de um forte discurso do Maçom Cipriano José Barata, denunciando a trama contra o Brasil. O Maçom, José Joaquim da Rocha, funda em sua própria casa o Clube da Resistência, depois transformado no Clube da Independência. Verdadeiras reuniões maçônicas ocorrem na casa de Rocha ou na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, Frei Sampaio, no convento de Santo Antônio, evitando a vigilância da polícia. Várias providências foram tomadas, dentre elas: consultar D. Pedro; convidar o Irmão, Maçom, José Clemente Pereira, Presidente do Senado a aderir ao movimento e enviar emissários aos maçons de São Paulo e Minas Gerais. Surge o jornal, “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves Ledo e pelo Cônego Januário, que circulou de 11 de setembro de 1821 a 08 de Outubro de 1822, e que teve a mais extraordinária influência no movimento libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira, despertando a alma da nacionalidade.

Posteriormente a 29 de julho de 1822 passa a ser editado o jornal – “Regulador Brasílico-Luso”, depois denominado, “Regulador Brasileiro”, redigido pelo Frei Sampaio, que marcou também sua presença e atuação no movimento emancipador brasileiro.

Na representação dos paulistas, de 24 de dezembro de 1821, redigida pelo Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva, pode-se ler o seguinte registro:

“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens, possam consentir em tais absurdos e despotismo... V.Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se V. Alteza Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência...”.

Nessa época, funcionavam no Rio de Janeiro, a Loja Maçônica “Comércio e Artes”, da qual eram membros vários homens ilustres da corte como o Cônego Januário da Cunha Barbosa, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira entre outros. Esses maçons reunidos e após terem obtido a adesão dos irmãos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, resolveram fazer um apelo a D. Pedro para que permanecesse no Brasil.

Em 09 de janeiro de 1822, na sala do trono e interpretando o pensamento geral, cristalizando nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente discurso pedindo para que o Príncipe Regente Permanecesse no Brasil. Após ouvir atentamente, o Príncipe responde: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico”.

A alusão às hostes maçônicas era explícita e D. Pedro conheceu-lhe a força e a influência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil. Este episódio, conhecido como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro a uma causa brasileira.

Em 13 de maio de 1822 – os Maçons fluminenses, sob a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo, e por proposta do brigadeiro Domingos Alves Branco, da loja “Comércio e Artes”, resolvem outorgar ao Príncipe Regente o título de “Príncipe Regente Constitucional e Defensor Perpétuo do Reino Unido do Brasil”, oferecido pela Maçonaria e pelo Senado, que acabou por acirrar ainda mais os ânimos entre os portugueses e nativistas.



No dia do seu aniversário (12 de outubro), D. Pedro foi aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil.
(Prancha de Dedret. Biblioteca Nacional/Rio).


- Ainda em maio de 1822 – aconselhado pelo então seu primeiro ministro das pastas do Reino e de Estrangeiros, o Maçom, José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro assina o Decreto do Cumpra-se, segundo o que só vigorariam no Brasil as Leis das Cortes portuguesas que recebessem o cumpra-se do príncipe regente.

A 21 de maio, em plena sessão das Cortes, em Lisboa, o Maçom Monsenhor Muniz Tavares diz que - talvez os brasileiros se vissem obrigados a declarar sua independência de uma vez.

A 26 de maio, José Bonifácio é iniciado na Maçonaria.

- Em 02 de junho de 1822 – em audiência com D. Pedro, o Irmão José Clemente Pereira leu o discurso redigido pelos Maçons Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa, que explanavam da necessidade de uma Constituinte. D. Pedro comunica a D. João VI que o Brasil deveria ter suas Cortes. Desta forma, convoca a Assembléia Constituinte para elaborar uma Constituição mais adequada ao Brasil. Era outro passo importante em direção à independência.

A 2 de junho, José Bonifácio, com outros maçons, funda a sociedade secreta "Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz", melhor conhecida com o nome de "Apostolado", da qual fez parte D. Pedro, com o título de Arconte-Rei.

Em 17 de junho de 1822 – a Loja Maçônica, “Comércio e Artes” em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”.

( Da Constituição do Grande Oriente do Brasil temos:

“ Art. 8º Parágrafo 1º

Constituem patrimônio histórico do Grande Oriente do Brasil as três Lojas Simbólicas legítimas, regulares e perfeitas que lhe deram origem: “Comércio e Artes”, “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Nictheroy”, as quais não poderão abater colunas; “)

José Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca da Independência) é eleito primeiro Grão-Mestre, tendo Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Vigilante e o Padre Januário da Cunha Barbosa como Grande Orador. O objetivo principal da criação do GOB foi de engajar a Maçonaria como Instituição, na luta pela independência política do Brasil, conforme consta de forma explícita das primeiras atas das primeiras reuniões, onde só se admitia para iniciação e filiação em suas Lojas, pessoas que se comprometessem com o ideal da independência do Brasil.

No dia 02 de agosto (13º do 5º mês maçônico, conforme o historiador Hélio Viana) – por proposta do Grão-Mestre da Maçonaria, José Bonifácio, foi D.Pedro, o Príncipe Regente, aprovado e recebido maçom, no primeiro grau na forma regular e prescrita pela liturgia, adotando o nome histórico de Guatimozim (último imperador Asteca morto em 1522), e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja Comércio e Artes.

No dia 05 de agosto – por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a presidência dos trabalhos, foi aprovada a exaltação ao grau de Mestre Maçom, com a dispensa do interstício, que possibilitou, posteriormente, em 04 de outubro de 1822, numa jogada política de Ledo, o Imperador ser eleito e empossado no cargo de Grão-Mestre, do GOB.

Porém, foi no mês de agosto de 1822 que o Príncipe, agora Maçom, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.

Em 14 de agosto parte em viagem, com o propósito de apaziguar os descontentes em São Paulo, acompanhado de seu confidente Padre Belchior Pinheiro de Oliveira e de uma pequena comitiva. Faz a viagem pausadamente, percorrendo em 10 dias, 96 léguas entre Rio e São Paulo. Em Lorena, a 19 de agosto, expede o decreto dissolvendo o governo provisório de São Paulo. No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, se hospedando no Colégio dos Jesuítas. De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro. Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi surpreendido, pelo Major Antônio Ramos Cordeiro e por Paulo Bregaro, correio da corte, que lhes traziam noticias enviadas com urgência pelo seu primeiro ministro José Bonifácio.

D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das notícias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras: “As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal. Independência ou Morte! ”.

A independência do Brasil foi realizada à sombra da acácia, cujas raízes prepararam o terreno para isto. A Maçonaria teve a maior parte das responsabilidades nos acontecimentos literários. Não há como negar o papel preponderante desta instituição maçônica na emancipação política do Brasil.

Desde 1815, com a fundação da Loja Maçônica “Comércio e Artes”, que daria origem as Lojas União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói e a posterior constituição do Grande Oriente do Brasil em 17 de Junho de 1822, o ideário de independência se fazia presente entre seus membros e contagiava os brasileiros.

À frente do movimento, enérgica e vivaz, achavam-se a Maçonaria e os Maçons. Entre seus principais Obreiros, pedreiros livres, de primeira hora podemos destacar: Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio da Andrada e Silva, José Clemente Pereira, Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho, Jacinto Furtado de Mendonça, Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga dentre muitos outros.

Faz-se necessário também alçar a figura do personagem que se destacou durante todo o movimento articulado e trabalhado pela Maçonaria, o Príncipe Regente, Dom Pedro.

Iniciado Maçom na forma regular prescrita na liturgia e nos rituais maçônicos, e nesta condição de pedreiro livre no grau de Mestre Maçom, aos 24 anos de idade, proclama no 07 de setembro a nossa INDEPENDÊNCIA.

Posteriormente, no dia 04 de Outubro de 1822, D. Pedro comparece ao Grande Oriente do Brasil e toma posse no cargo de Grão-Mestre (havia sido investido no cargo de Grão Mestre no dia 14 de setembro), sendo na oportunidade aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
Neste mesmo dia, D. Pedro oferece a Gonçalves Ledo o título de marquês da Praia Grande que é por este recusado, com a declaração de ser muito mais honroso o de brasileiro patriota e de homem de bem.

No mesmo dia, Joaquim Gonçalves Ledo, redigiu uma nota patriótica ao povo Brasileiro, a primeira divulgação, depois da independência, que dizia: “Cidadãos! A Liberdade identificou-se com o terreno; a natureza nos grita Independência; a razão nos insinua; a justiça o determina; a glória o pede; resistir-lhe é crime, hesitar é dos covardes, somos homens, somos Brasileiros. Independência ou Morte! Eis o grito de honra, eis o brado nacional...”.

A 21 de outubro, D. Pedro, Grão-Mestre, manda a Gonçalves Ledo que suspenda os trabalhos no Grande Oriente. A 25, em decreto, D. Pedro determina o encerramento das atividades maçônicas. Diversos maçons são presos. Ledo consegue fugir para a Argentina.

Em 1823, a 25 de março o Apostolado aprova o projeto da Constituição Brasileira. A 23 de julho, o Apostolado é violentamente fechado. A 20 de outubro, D. Pedro, Imperador proíbe as sociedades secretas do Brasil, sob pena de morte ou de exílio.

A 23 de novembro de 1831, o Grande Oriente do Brasil restabelece suas atividades, adormecidas desde 1822, sendo reeleito José Bonifácio de Andrada e Silva para o cargo de Grão-Mestre. Nesta oportunidade é lançado um manifesto a todos os Corpos Maçônicos Regulares do mundo contendo subsídios de extraordinária importância para a História do Brasil.

Bibliografia

• FILHO, Theobaldo Varoli. Curso Maçonaria Simbólica 1º Tômo (Aprendiz) 2ª edição, São Paulo, SP – Brasil, Editora A Gazeta Maçônica S.A.

• CASTELLANI, José - Os Maçons na Independência do Brasil

• FAGUNDES, Morivalde Calvet - A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução

• PINTO, Teixeira - A Maçonaria na independência do Brasil

• FERREIRA, Tito L. e Manoel Rodrigues - A Maçonaria e a independência Brasileira

• Livro Constituição do Grande Oriente do Brasil - Capítulo II – Art. 3º (página 3)

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Dom Pedro I
1798 - 1834

D. Pedro de Alcantara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, Pod. Ir. "Guatimozim", Grão-Mestre da Ordem no período de 5 de agosto a 25 de outubro de 1822, primeiro imperador do Brasil, nasceu em Lisboa a 12 de outubro de 1798.

Sua fé de ofício maçônica é pequena. Tendo sido tão rápida sua passagem pela Maçonaria, pouco há referir a respeito.

Proposto em 02 de agosto de 1822, sua iniciação teve lugar ao mesmo dia. Submetido a todas as provas do Ritual, adotou o nome de Guatimozim, com o qual escreveu a música do hino maçônico, ainda em vigor. Aclamado, a 5 de agosto, Grão-Mestre da Ordem, em 4 de outubro tomou posse de seu cargo, que exerceu até o dia 25 do mesmo, quando houve a interrupção, dos trabalhos do Gr:. Or:.do Brasil.

Apenas com 10 anos de idade, veio para o Brasil em companhia de seu pai, o príncipe regente D. João, que não podendo resistir em Portugal à coluna francesa comandada por Junot, emigrou para a sua colônia na América.

Conquanto herdeiro presuntivo da coroa, porque com a enfermidade da rainha D. Maria I era seu pai quem reinava, o príncipe D. Pedro não teve uma educação condigna à elevada missão que o aguardava.

Em 1818 casou-se com a archiqueza d’Austria, D. Maria Leopoldina, de cujo consórcio nasceu D. Pedro II, que foi o seu sucessor no trono do Brasil.

A revolução de Portugal de 1820, veio quebrar a monotonia da vida colonial no Brasil, cujas províncias aderiram ao regime constitucional, enquanto que o rei, pouco disposto a voltar para metrópole, publicava o decreto de 18 de fevereiro de 1821, em virtude do qual era o príncipe D. Pedro mandado para Lisboa; mas em razão dos graves acontecimentos que sobreviveram, foi o próprio D. João VI com a sua família quem, pesaroso, abandonou o seu doce remanso, aí deixando por lugar-tenente o príncipe D. Pedro.

A princípio, pouco inclinado à causa da independência, tornou-se posteriormente o chefe da revolução e o fundador do império do Brasil, em razão da desastrosa política que exerceram as cortes portuguesas. Após sucessivos decretos, nos quais revelavam a insistente preocupação em amesquinhar a florescente colônia, surgiram as determinações de conformidade com as quais deveriam ser abolidos os tribunais mais importantes do reino do Brasil, e também pelas quais o príncipe regente recebia ordens de seguir para a Europa, afim de aí aprimorar a sua educação.

Foi este último decreto o preponderante, senão a principal, causa da proclamação da independência do Brasil.

Chegando ao conhecimento dos mais exaltados patriotas que o príncipe se preparava para dar cumprimento as ordens recebidas, começaram a conspirar em sociedade secretas, promovendo representações populares com o fim de solicitar-lhe que permanecesse no Brasil.

Esses esforços foram coroados do mais feliz resultado e a data de 9 de Janeiro de 1822 soleniza o alvorecer de mais uma nação livre na carta do universo. (Dia do Fico)

Delirantemente secundado pelos brasileiros, pode o genuíno representante da aspiração nacional vencer os vãos esforços do elemento português que tentou sufocar o brado patriótico de – independência ou morte, - soltado em S. Paulo.

A 12 de Outubro foi D. Pedro solenemente proclamado no Rio de Janeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, efetuando-se a 1º de dezembro a cerimônia da sua coroação.

Em 1825 reconhecia D. João VI a independência desse adolescente império.

Durante a curta administração do jovem monarca, grandemente perturbada com as contínuas dissenções de partidos, onde predominava o ressentimento entre português e brasileiros e até com lutas contra países vizinhos, jamais conseguiu ele sufocar a impetuosidade do seu gênio e precaver-se dos conselhos de desleais e apaixonados cortesãos, circunstâncias que muito concorreram para exacerbar o espírito de dedicados patriotas, com medidas extremas, que comprometeram-no.

Falecendo D. João VI em 1826, a coroa de Portugal tocava a D Pedro, que abdicou-a na sua filha D. Maria da Glória ; esta deliberação não logrou resultados satisfatórios, porque a revolução de Portugal colocou no trono o príncipe D. Miguel, como rei absoluto.

A 17 de Outubro de 1829 foi celebrada no Rio de Janeiro a cerimônia das bênçãos nupciais do imperador com a sua Segunda esposa D. Amélia de Leuchteanberg.

Acusado pelo partido liberal de aspirar ao poder absoluto, e continuamente comprometido pelos seus ministros, sentiu D. Pedro 1º dia a dia perder a sua popularidade, seriamente ameaçada com a bandeira da federação das províncias, alçada pelos ânimos com efervescentes.

Só muito tarde foi que se esforçou por conquistar a adesão e amizade dos descontentes, e a sua viagem a Minas Gerais, empreendida nesse sentido, seguida das luctosas noites das garrafas, deixou a mais triste impressão no ânimo do monarca. Desde então acentuaram-se cada vez mais os projetos de conspiração, que eram alimentados com as suas desacertadas resoluções, até que grave ocorrências coagiram-no abdicar a coroa em filho menor, e no dia 13 de Abril de 1831 deixava para sempre o Brasil.

Por essa época fazia Portugal sob o jugo cruel e sanguinário do usurpador D. Miguel.

Com o simples título de duque de Bragança e á testa do movimento liberal, passou-se D. Pedro do Açores para o continente, e sempre de vitória em vitória conseguiu, após as batalhas de Almastir e da Assieira, firmar o trono de sua filha Dona Maria II com o governo monárquico constitucional ; e a 24 de Setembro de 1834 faleceu em Lisboa, legando a sua memória gloriosa as páginas da história de dois mundos."

Texto extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil – 1822.

Joaquim Gonçalves Ledo

1781- 1847

Joaquim Gonçalves Ledo nasceu em 11 de dezembro de 1781, no Rio de Janeiro, filho de Dª Maria dos Reis Ledo e Antônio Gonçalves ledo, comerciante abastado, e já destinado a ser doutor em Leis.

Em 1795, com apenas 14 anos, parte para Portugal, indo estudar em Coimbra, sendo que, por força da morte de seu pai, em 1808, volta para o Brasil, interrompendo seus estudos.

Em 15 de novembro de 1815 é instalada no Rio de Janeiro a Loja Comércio e Artes, sendo certo que, em 1808, havia enviado carta a seu irmão, afirmando sua intenção de fundar, no Brasil, a primeira Loja, “que será o centro de propaganda liberal no Brasil”.

Foi iniciado na Loja Comércio e Artes, a Primaz do Grande Oriente do Brasil, não podendo haver uma precisão de datas em virtude da destruição de documentos à época.

Ledo,como jornalista, foi um dos articuladores das manifestações para a permanência de D.Pedro no Brasil, culminando com o Fico (09 de janeiro de 1822).

Em 30 de março de 1818, D.João VI, por decreto, proíbe a existência das “sociedades secretas” e, com isso, são encerradas as atividades da Loja.

Apesar de problemas nacionais e outros envolvendo irmãos, aos 24 de junho de 1821 é reinstalada a Loja Comércio e Artes, tendo como Venerável Mestre o Ir:. Ledo.

Fundou juntamente com Cônego Januário da Cunha Barbosa, em julho de 1821, o jornal Revérbero Constitucional Fluminense, que passou a estar na vanguarda da libertação do país, e seria o clarim das idéias de liberdade nacional.
O primeiro número do periódico, quinzenal, surge em 15 de setembro de 1821, com redação de Ledo e do Cônego Januário.

Em 16 de fevereiro de 1822 Ledo é nomeado Conselheiro e Secretário de Estado e, aos 30 de abril, novo exemplar do Revérbero Constitucional é lançado elogiando D.Pedro e clamando pela independência.

Em 20 de maio de 1822, saúda D.Pedro, o nosso irmão Ledo, com uma oração, sendo brilhante este trecho: “A América deve pertencer à América, a Europa à Europa; porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço imenso que as separa...”

Em 1º de junho é eleito Procurador Geral pela província do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, instalado o Conselho de Estado, fazendo parte dele Ledo.

É requerida pelos Procuradores Gerais uma Assembléia Constituinte ao Príncipe D.Pedro, que não agrada muito a José Bonifácio.

Em 17 de junho de 1822 é fundado o Grande Oriente Brasiliense, tendo sido seu primeiro Grão-Mestre José Bonifácio, por nítida influência de Ledo, que seria seu 1º Vigilante e verdadeiro dirigente da Instituição.

Redigiu o manifesto de D.Pedro aos brasileiros em 1º de agosto de 1822. Este considerava como inimigas qualquer tropa portuguesa enviada ao Brasil.

Em 14 de outubro D.Pedro oferece a Ledo o título de Marquês da Praia Grande, mas este recusa a honraria, posto entender que não poderia aceitá-lo, mas aceitaria de grande prazer o título de patriota brasileiro.
Dom Pedro, como era de costume em momentos de ira, desferiu palavras ásperas a Ledo, afirmando que o mesmo não tomaria assento a Câmara.

Na maior parte de sua carreira política encontrava-se em disputa com José Bonifácio, desde a nomeação deste último, como Ministro do Reino e do Estrangeiro em 16 de janeiro de 1822. No seio da disputa encontra-se a questão de influência pessoal sobre a figura do imperador, além da questão das vaidades pessoais dentro da maçonaria.

Estas questões da influência sobre D.Pedro fizeram com que, em 27 de outubro de 1822, José Bonifácio, e seu irmão Martim Francisco (ministro da fazenda), contrariados em suas decisões pelo imperador, pedissem demissão.

D.Pedro não consegue organizar o poder. Três dias depois, os Andradas são reconduzidos ao governo, ordenando o fechamento da maçonaria, prisões e deportações.
Ledo foge para Buenos Aires, pois a “tarja” de republicano, de que lhe atacavam, poderia levar-lhe a própria vida. Por certo Ledo jamais fora um republicano, mas defendia a monarquia constitucionalista, como sendo a melhor forma para o Brasil. Por isso, mesmo sendo eleito para a constituinte, não pôde exercer seu mandato, mesmo porque tal assembléia foi fechada em 12 de novembro de 1823 por D.Pedro.

Absolvido das acusações à ele impostas, Ledo retorna ao Brasil, em 1823, tendo sido agraciado, em 17 de fevereiro de 1824, pelo imperador, com a Dignatária da Ordem do Cruzeiro do Sul, mas, assim como o título de Marquês, ele recusa.

Em 1835, abandona a política e a Maçonaria, indo recolher-se em sua fazenda em Cachoeiras de Macacú (RJ), vindo a falecer em 19 de maio de 1847, aos 65 anos de idade.


José Bonifácio de Andrada e Silva
1763 - 1838


Texto extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil de 1922 – Preservada a grafia da época.

Não podíamos fugir ao dever de estampar nas colunas do "Boletim", neste numero em que modesta, mas sinceramente, comemora ele o Centenário da Independência do Brasil, a efígie veneranda do Pod. Ir. Dr. José Bonifácio de Andrade e Silva.

Não que com isso queiramos lhe ratificar a cognominarão de Patriarca da libertação da partia, quem documentadamente, lhe é contestada pelos modernos historiógrafos, como, entre outros, o professor Assis Cintra, em artigos por nós transcritos nos meses de Dezembro de 1920 e Fevereiro e Março do corrente ano.

Mas para testemunhar o apreço da Ordem ao homem ilustre que, em 1921, Ledo já se esforçava para chamar ao nosso grêmio e que, uma vez figurando no quadro dos OObr. da Commercio e Artes, foi escolhido, pelo seu valor pessoal e posição social, para ocupar o Grão Mestrado, na ocasião de se fundar, em 17 de Junho de 1822, o Gr. Or. do Brasil.

E, também, com a intenção de relembrar o distinto brasileiro que, arrefecidas as paixões políticas no pais e restabelecidos os trabalhos do Gr. Or., em 23 de Novembro de 1831, os Maçons reconduziram no cargo de Grão Mestre da Ordem, que José Bonifácio só deixou por morte, a 6 de Abril de 1838.

Que dizer de José Bonifácio? E’ bastante citar o ato de D. Pedro 1º, que, não obstante separado, politicamente, dele, o nomeou tutor de D. Pedro 2º, por Decreto de 1831, uma das maiores honras da época.

E qual o melhor elogio do velho paulista sinão estas palavras, com que Ledo, apesar de todos os pesares, se referiu a ele, no dia de seu falecimento, em carta a Clemente Pereira, pedindo a este para ir á Maçonaria falar :

"... sobre esse grande espirito que se apagou... sobre esse ilustre brasileiro... que... não deixou de prestar serviços ao pais com a sua grande inteligência."

Na sessão de reorganização do Gr. Or. do Brasil, José Bonifácio invocou a proteção do Gr. Arch. do Univ. para nossa Ord., com a seguinte peça de arquitetura, mandada imprimir e transcrever na respectiva ata :

" Gr. Arch. do Univ.! Penetrados de profundo respeito e gratidão para contigo, hoje que, inesperadamente para mim, se acha reinstalado o Gr. Or. Brasileiro; e adormecidas como é de esperar as paixões violentas e desacordadas, que tantos males trouxeram á Maçonaria e ao Estado, Entre Supremo, cumpre-nos principiar nossos trabalhos, encaminhando-te fervorosamente nossas orações, nossos votos e homenagens. Ah! possamos nós alcançar, ao menos, um pequeno signal daquela complacência que sempre reservaste aos homens de bem, que te procuram. Sim nós esperamos merecer de ti o teu amor paternal, de que tanto precisam os Maçons Brasileiros em nossas tristes circunstancias.

Na tua angustia presença, Gr. Arch. do Univ., nós sentimos o nosso nada; e reconhecemos humildemente o quanto ainda nos aviltam o orgulho ou a vaidade ; confessamos que ainda estamos muito apartados da moral universal, da virtude e da concórdia, de que tanto precisamos para sermos homens bons e cidadãos honrados. Hoje, porém, reunidos, em fim, o único fim e honra a que aspiramos é ser úteis a nossos semelhantes, praticando a moral e contemplando religiosamente as obras primas de tua mão criadora e onipotente, que a todo o instante nos oferece novos objetos á nossa admiração e ao nosso amor.

Digna-te, pois, Gr. Arch. do Univ., lançar sobre nós uma vista de olhos de bondade e de misericórdia! Dá-nos a força e os meios para assegurarmos á Justiça e á Verdade um triunfo glorioso e duradouro.

Debaixo de tua agite tutelar neste novo Templo sagrado, onde nos ajuntamos para celebrar teus benefícios e praticar a virtude, ajuda-nos a combater as trevas com a tua radiosa luz, a trabalhar com novo afinco na felicidade dos Maçons e dos homens em geral e a pregar como convém o amor, respeito e confiança que devem Ter os governos si desejam conservar-se e prosperar."

Em homenagem aos serviços que José Bonifácio prestou á partia e á Maçonaria, publicamos abaixo sua biografia, extraída do livro "Galeria dos Homens Célebres":

José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da independência do Brasil, teve por berço a outrora vila de Santos, no atual e florescente Estado de S. Paulo, a 13 de Junho de 1763.

Tendo iniciado os seus estudos em S. Paulo na idade de 17 anos, seguiu para Coimbra, em cuja Universidade conquistou, no fim de seis anos e com grande brilhantismo, o grau de bacharel em filosofia natural e direito.

Até 1819 ocupou-se José Bonifácio em aperfeiçoar os seus conhecimentos viajando por toda a Europa, colaborando nas principais revistas com a publicação de interessantes memorais sobre vários assuntos e desempenhando importantes comissões em Portugal.

Em 1807 a invasão dos franceses veio despertar-lhe os sentimentos patrióticos e distrai-o de suas lides cientificas. Á frente de um batalhão de estudantes conquistou o posto de tenente-coronel, batendo-se contra as tropas invasoras em prol da independência portuguesa.

Chegando ao Rio de Janeiro, deu-se pressa em volver para o seu berço natal, do que ausentara-se havia trinta e nove anos ; e ali, no seu retiro de Outeirinhos, redobrou de atividade, procurando em longas excursões estudar a mineralogia de S. Paulo.

A revolução de Portugal de 1820, fazendo repercutir os seus efeitos no Brasil com medidas opressivas, provocou a reação da parte dos naturais, e desde então salientou o vulto do eminente patriota José Bonifácio, que, chegando de S. Paulo á frente duma deputação que vinha pedir ao príncipe que não deixasse o Brasil, foi a 16 de Janeiro nomeado ministro dos negócios do reino e dos estrangeiros.

Desde essa época a biografia desse grande varão tornou-se intimamente ligada á historia da revolução da independência do Brasil O seu acendrado patriotismo teve que pagar o tributo peculiar aos grandes heróis : envolvido nas lutas políticas, teve em breve tempo a recompensa dos seus serviços com o desterro para a França, em companhia de seus dois irmãos.

Volvendo á partia, resolveu recolher-se á obscuridade, procurando modesto refugio na graciosa ilha de Paquete, quando os acontecimentos políticos de 1831 exigiram a sua interferência nos negócios da nação.

Com a abdicação de D. Pedro 1º, a 7 de Abril, foi o benemérito patriota nomeado tutor do jovem monarca e de suas irmãs. Suas posteriores agitações políticas concorreram para a destituição desse elevado cargo, que tão contiguamente exercia no seu modesto retiro de Paquete, onde passando a residir em Niterói, ali faleceu a 6 de Abril de 1838.

Porém a posteridade soube recompensar os serviços do Washington brasileiro erigindo-lhe uma estatua na praça de S. Francisco de Paula, na cidade do Rio de Janeiro.

Texto extraído do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil de 1922 – Preservada a grafia da época.

----------------------------------------------------------------------------------------------------
Notas Interessantes

• A obra "Grito do Ipiranga" de Pedro Américo , uma imensa tela a óleo (medindo 6m 56cm x 4m 10cm) foi pintada em Florença, Itália, entre os anos 1886 e 1888, por encomenda da Comissão Oficial incumbida da construção do Monumento do Ipiranga, em São Paulo. Esta tela, é uma imitação da Batalha de Friedland (entre o exército de Napoleão e tropas russas, ocorrida em junho de 1807) retratada por Ernest Meissonier. Para diferenciá-la da obra original, o pintor paraibano acrescentou à cena um carro de bois e uma choça. O “produto” final sairia bem diferente da realidade histórica: quando encontrou os dois mensageiros da Corte, D. Pedro não usava roupa de gala, O vale do Ipiranga, vira colina; a mula de D.Pedro, um belo cavalo zaino; roupas simples de viagem, trajes de gala; o grupo que acompanhava o Príncipe, afastado, aparece unido na sua retaguarda; os dois mensageiros que traziam as cartas, são transformados em mais de trinta guerreiros militarmente uniformizados, montando cavalos castanho-escuros e brancos. Do artificialismo, restou algo real: um assustado caboclo a frente de um carro-de-bois , às margens de cá; um humilde casebre, às margens de lá. D.Pedro estava acompanhado apenas da guarda de honra e de um pequeno grupo de seis pessoas, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, o secretário Luís Saldanha da Gama, futuro marquês de Taubaté, o secretário particular Francisco Gomes da Silva apelidado Chalaça, o major Franciso de Castro Canto e Melo e os criados João Carlota e João Carvalho, todos vestindo roupa simples de viagem.

A obra-prima (ou melhor a cópia-prima) de Pedro Américo pode ser vista e elogiada no Museu Paulista, São Paulo.

• O primeiro país a reconhecer oficialmente a Independência do Brasil foi os EUA, em julho de 1824. Seguiram-se o México e a Argentina, em 1825. Na Europa, a França foi a primeira a dar o seu aval. Com suas afiadas garras, o leão britânico aproveitou a oportunidade, pra mais uma vez montar na cacunda dos Braganças (e dos brasileiros): para o seu reconhecimento oficial exigiu, além da manutenção dos privilégios da época joanina, que o "herói" libertador pagasse uma conta de dois milhões de libras esterlinas que Portugal devia aos bancos ingleses. Para cumprir a exigência, o Brasil recorreu à Inglaterra e ela própria emprestou o dinheiro pra si mesma. Resultado: o Brasil não viu a cor do dinheiro, e ficou na obrigação de pagar juros leoninos por décadas e décadas. Outros dois extorsivos empréstimos foram contraidos (em 1829 e 1859), por imposição da "amiga e protetora nação" para saldar restos da duvidosa conta portuguesa. E mais: uma cláusula do contrato do dito empréstimo (artigo 3º) "mandava contar os juros a partir de outubro de 1824" (o empréstimo foi lançado em janeiro de 1825).