Palavras do Professor e ex-governador de SP Cláudio Lembo:

SOBRE A ELITE BRASILEIRA

"O Brasil é um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais... Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa".

"Em suas lindas casas dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vão fazer protesto nada! Vão é para o melhor restaurante cinco estrelas com outras figuras da política nacional fazer o bom jantar".

"Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para esse País".

"A Casa-grande tinha tudo e a Senzala não tinha nada. Então é um drama. É um País que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o Senhor e não os libertos, como nos EUA. Então, é um País único. (...) O cinismo nacional mata o Brasil. Esse País tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a a quem doer, destrua a quem destruir, por que acho que só a verdade vai construir este País".

SOBRE A REAÇÂO DA ELITE PAULISTANA

"O que eu vi em entrevistas da Folha de S. Paulo foram dondocas dizendo coisinhas lindas. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses".

SOBRE A ELITE BRASILEIRA

"A bolsa da burguesia terá de ser aberta, para sustentar a miséria, no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações".

"Se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não iremos a lugar algum".

A herança do cativeiro

Desde a libertação dos escravos, em 1888, as elites do País criaram modelos discriminatórios, como a ideologia do branqueamento, marginalizando assim as camadas não-brancas nos níveis econômico, social, cultural e existencial.

Clóvis Moura -- Retratos do Brasil, Ed. Política, 1984, Vol. II, p. 109-113

Manifestações do racismo

O sonho do branqueamento é antigo na elite brasileira. Está subordinado, desde os tempos coloniais, a uma escala de valores que vê no branco o elemento superior. Em 1980, o historiador Sílvio Romero já dizia que "a vitória na lua pela vida, entre nós, pertencerá, no porvir, ao branco". Em 1923, o deputado federal Carvalho Neto garantia que "o negro, no Brasil, desaparecerá  dentro de 70 anos". Em 1938, o escritor Afrânio Peixoto previa que em 200 anos "terá passado inteiramente o eclipse negro".

Em 1945, decreto de Getúlio Vargas sobre a política de imigração do governo brasileiro ressaltava a necessidade de "desenvolver na composição étnica do país as características mais convenientes de sua ascendência européia." Já em 1966, o Ministério das Relações Exteriores garantia, num livro de propaganda do Brasil, que a população é branca, "sendo diminuta a percentagem de pessoas de sangue misto."

Uma das mais absurdas manifestações de racismo aconteceria em São Paulo, em 1982. O economista Benedito Pio da Silva, assessor do governo do Estado de São Paulo na gestão Paulo Maluf, apresentou um trabalho onde sugeria uma campanha nacional pelo controle de natalidade de negros, mulatos, cafuzos, mamelucos e índios. Considerava ainda que, se mantida a atual tendência de crescimento populacional, no "ano 2000, a população parda e negra será da ordem de 60% (do  total de brasileiros), por conseguinte muito superior à branca. E eleitoralmente poderá mandar na política brasileira."

Isto porém, não é surpresa. Os exemplos poderiam ser dados às dezenas. O certo é que, depois de 400 anos de preconceito, o brasileiro tem um subconsciente racista. Pesquisas realizadas pelo Jornal Folha de São Paulo (março de 1984) sobre o preconceito de cor constataram que 73% dos paulistanos consideravam o negro marginalizado no Brasil e 60,9% diziam conhecer pessoas e instituições que discriminam o negro.

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É comum se ouvir dizer que o Brasil é a maior democracia racial do mundo. E que isso ocorre porque o colonizador português apreciava o relacionamento sexual com raças "exóticas", favorecendo a miscigenação.

Atrás desses argumentos se esconde a realidade dos mecanismos de resistência à ascensão social que foram criados contra determinados segmentos discriminados da população brasileira, como os negros e outras camadas não-brancas. E mais: não se vê que esses segmentos populacionais eram componentes de uma estrutura escravista, inicialmente, e, em seguida, de um modelo de desenvolvimento sócio-econômico determinado.

Para compreender melhor a questão devemos analisar certas particularidades no processo de formação das classes sociais no Brasil. É idéia corrente de que, acabada a escravidão, os negros e pardos ex-escravos foram, automaticamente, formar o proletariado das cidades que se desenvolviam. Iriam compor a classe operária, nos seus diversos níveis e setores. E em pé de igualdade com outras levas proletárias em grande parte integradas por imigrantes. Mas entre os próprios operários estrangeiros já existia o preconceito racial.

Mesmo a imprensa anarquista de São Paulo e Rio não refletia nenhuma simpatia ou desejo de união com os negros, conforme o levantamento feito pelo professor Sidney Sérgio Fernando Solis. Os jornais anarquistas chegavam mesmo a estampar editoriais nos quais eram visíveis o preconceito racial. Portanto, se, de um lado, os negros saídos das senzalas não se incorporavam automaticamente à classe operária, de outro, surgia no interior da própria classe operária o preconceito de cor. O negro e outras camadas não-brancas não são incorporadas a esse proletariado, mas vão compor a grande parcela de marginalizados decorrente das relações sociais que substituíram o escravismo.

A valorização que se dá ao trabalhador imigrante, nesse processo de mudança, pretere o negro, que é empurrado socialmente para os piores setores da economia. Em 1893, por exemplo - escreve o sociólogo Florestan Fernandes -, "os imigrantes entravam com 79% do pessoal ocupado nas atividades manufatureiras; com 85% do pessoal ocupado nas atividades artesanais; com 81% do pessoal ocupado nas atividades de transportes e conexos; com 71,6% do pessoal ocupado nas atividades comerciais. Sua participação nos estratos mais altos da estrutura ocupacional ainda era pequena (pois só 31% dos proprietários e 19,4% dos empresários eram estrangeiros). Contudo, achavam-se incluídos nessa esfera, ao contrário do que sucedia com o negro e o mulato."

Neste processo complexo e ao mesmo tempo contraditório, o negro é logrado socialmente e apresentado como incapaz de trabalhar como assalariado. No entanto, mesmo durante o escravismo, o negro atuava satisfatoriamente no setor manufatureiro e artesanal. Visitando o Rio de Janeiro, dois cientistas alemães que estiveram no Brasil no século 19, Johann von Spix e Carl von Martius, disseram que "entre os naturais são os mulatos os que manifestam maior capacidade e diligência para as artes mecânicas". Trabalhavam, também, nos estaleiros, na construção de barcos, na pesca da baleia e na industrialização do seu óleo e em diversas outras atividades. Em várias outras regiões se desenvolviam atividades artesanais e manufatureiras aproveitando-se o trabalho dos negros escravos.

A herança da escravidão está nas elites dominantes

No Maranhão, por exemplo, dos 3.949 profissionais artífices que havia em toda a província, quando Spix e Martius por ali passaram (1817-1820), 2.985 eram escravos e apenas 964 eram livres. Os escravos eram a maioria entre os carpinteiros (326 escravos e 178 livres); entre os alfaiates (96 escravos e 61 livres); e entre os pedreiros e britadores (608 escravos e 404 livres). E ainda trabalhavam como carpinteiros, ferreiros, ourives e como auxiliares nas indústrias existentes.

Toda essa força de trabalho, relativamente diversificada e estruturada em um sistema de produção desarticulou-se, porém, com a decomposição do sistema escravista. Esses ourives, alfaiates, pedreiros, marceneiros, etc., ao tentarem reordenar-se na sociedade emergente, passam por um processo de peneiramento brutal - são considerados como mão-de-obra não aproveitável; e marginalizados. Surge o mito da incapacidade do negro para o trabalho. Com isto, ao tempo em que se proclama a existência de uma democracia racial no Brasil, apregoa-se, por outro lado, a impossibilidade de se aproveitar esse enorme contingente de ex-escravos.

O preconceito de cor é, assim, dinamizado. Os elementos não-brancos passam a ser esteriotipados como indolentes, cachaceiros, não persistentes no trabalho. Em contrapartida, elege-se o modelo branco como sendo o do trabalhador ideal e apela-se para uma política migratória sistemática, alegando-se a necessidade de se dinamizar a nossa economia através da importação de um trabalhador superior e capaz de suprir, com a sua mão-de-obra, as necessidades da sociedade brasileira em expansão.

O "branqueamento" como ideologia das elites dominantes vai refletir-se no comportamento de grande parte do segmento não-branco da sociedade que começa a fugir das suas matrizes étnicas, para mascarar-se com os valores criados para discriminá-lo.

O negro (mulato, portanto, também) entra num processo de acomodação, o que irá determinar o esvaziamento de sua consciência étnica, colocando-o, assim, como simples objetos do processo histórico. A herança da escravidão que muitos dizem estar no negro, está, ao contrário, nas classes dominantes que criam valores discriminatórios através dos quais conseguem barrar, nos níveis econômico, social, cultural e especialmente existencial, a emergência de uma consciência negra.

Surge uma "imprensa mulata" com caráter nacionalista

O sistema classificatório que o colonizador português impôs criou a categoria do "mulato", que entra como uma espécie de amortecedor dessa consciência. O mulato é diferenciado do negro por ser mais claro e passou, ele próprio, a se considerar superior, assimilando a ideologia do "branqueamento". Como resultado dessa política aparentemente democrática do colonizador, surge uma "imprensa mulata" no Rio de Janeiro, entre 1833 e 1867, aproximadamente, com caráter nacionalista. Não incorpora, porém, à sua mensagem ideológica a libertação dos escravos negros. Esses jornais lutavam contra a discriminação racial, mas na medida em que os mulatos eram atingidos na disputa de cargos políticos ou burocráticos. Essa perda ou fragmentação da identidade étnica determinará, por sua vez, a impossibilidade de surgir uma consciência mais abrangente do segmento negro e não-branco em geral.

Em determinada fase da nossa história houve uma consciência entre a divisão social do trabalho e a divisão racial do trabalho, os brancos predominassem e, em outros, os negros e os seus descendentes diretos. Tudo aquilo que representava trabalho qualificado, intelectual, "nobre", era exercido pela minoria branca, enquanto todo o subtrabalho, o trabalho não qualificado, braçal, subalterno, "sujo" era praticado pelos escravos, e depois pelos negros livres.

Esta divisão do trabalho refletia uma estrutura social rigidamente estratificada e ainda persistia em grande parte nos anos 80. Assim como a sociedade brasileira não se democratizou nas suas relações sociais fundamentais, também não se democratizou nas suas relações raciais. Desta forma, a mobilidade social para o negro descendente do antigo escravo é muito pequena. Ele praticamente foi imobilizado por mecanismos seletivos que as elites estabeleceram. Isto se reflete na posição que os negros e não-brancos de um modo geral ocupam na estrutura da sociedade.

O Código Penal somente é aplicado contra três P

De acordo com o Censo de 1980, 119 milhões de brasileiros habitavam o País. Destes, 54,77% são brancos; 38,45% pardos; 5,89% pretos e 0,63% são amarelos. Podemos afirmar, portanto, que são descendentes de negros ou de índios 44,34% da população. Essa proporção vem aumentando nas últimas décadas. Era de 35% em 1940; 41% em 1950; e 38,5% em 1960.

A posição da população negra e não-branca não se distribui proporcionalmente nos diversos níveis sociais e econômicos, mas está fortemente concentrada nas camadas de baixa renda ou marginalizadas. Cláudio Fleury Barcelos mostra dados reveladores desse processo de marginalização do negro: em São Paulo, os negros e mulatos somavam, em 1950, 10,22% da população recenseada no município e, segundo pesquisas feitas em 1967, a população marginal da região da Grande São Paulo apresentava cerca de 39% de negros e mulatos. Como se vê, há uma concentração enorme, se levarmos em conta  a relação entre a população e o percentual de criminalidade.

A criminalidade, do furto ao assalto, é toda  concentrada na faixa de negros e mulatos marginalizados. Em certo círculo do Poder Judiciário afirma-se, mesmo, que o Código Penal somente é aplicado contra três pês: prostituta, pobre e preto. Para o crime de "colarinho branco" há o Código Civil; e ele não consta nas estatísticas de criminalidade.

Além disso, constata-se que os negros e não-brancos em geral (excluindo-se os amarelos) são aqueles que possuem empregos menos significativos socialmente. Segundo os dados do Censo de 1980, apenas 0,4% dos recenseados como pretos são empregadores. Isto demonstra como os mecanismos de imobilização social funcionam eficientemente no Brasil, impedindo praticamente que o negro ascenda significativamente na estrutura ocupacional. Convém notar que no Censo de 1950 o percentual era de 0,95 de pretos empregadores.

Evidentemente que os mecanismos de barragem social, exercidos de maneira não institucional, mais atuantes na posição do segmento negro, refletem-se em todos os níveis e produzem distâncias sociais enormes, jamais compensadas. As desigualdades raciais existentes no Brasil são, de um lado, incorporadas como "naturais", e, de outro, consideradas como simples subproduto do próprio comportamento e temperamento dos negros e dos não-brancos em geral. Daí o comportamento racial do brasileiro branco ser de desconfiança, atitude de defesa ou hostilidade contra o negro. Esta atitude, por seu turno, irá refletir-se na situação real do negro na estrutura da sociedade brasileira, quer no acesso ao sistema educacional, quer na distribuição de rendo, no nível de criminalidade, na organização familiar e nas oportunidades oferecidas pela sociedade capitalista.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1976 mostram um perfil atualizado da estrutura das desigualdades raciais existentes no Brasil. O historiador Carlos Hasembalg, baseado nesses dados, afirma que "considerando-se as pessoas de cinco ou mais anos de idade, a proporção de analfabetos entre os não-brancos (40%) é quase o dobro da dos brancos (22%) (...). O grupo branco tem uma oportunidade 1,55 vez maior que os não-brancos de completar entre cinco e oito anos de estudo e uma oportunidade 3,5 vezes maior de cursar nove ou mais anos de estudo".

Quanto à distribuição de renda, escreve o mesmo autor: "É lógico esperar que as desigualdades existentes na distribuição regional, qualificação educacional  e estrutura de empregos de brancos e não-brancos determinem fortes disparidades na distribuição de renda. Entre as pessoas não-brancas com rendimentos, 53,6% recebiam uma renda de até um salário mínimo. No caso do grupo preto, essa proporção aumenta para 59,4%, enquanto somente 23,2% dos brancos situavam-se nessa faixa de rendimentos. No extremo oposto da distribuição, 23,7% de brancos e 14,5% de não-brancos obtinham mais de dois a cinco salários mínimos, por sua vez 16,4% dos brancos e 4,2% de não-brancos tinham rendimentos superiores a cinco salários mínimos."

A dominação e a opressão dos brancos contra negros

Leonildo Correa - Instituto OCW Br@sil -- 27/01/2008

Discurso aos combatentes

A história nos ensina que a dominação, a opressão, a exclusão e a exploração sempre foram derrotadas e destruídas. Impérios caíram. Imperadores, reis, czares e príncipes foram derrotados, decapitados e fuzilados. Ditadores e tiranos tombaram nos palácios e nos campos de batalha e com eles o sistema de opressão e tirania que criaram e alimentavam.

A história nos mostra armadas invencíveis sendo vencidas. Exércitos gigantescos perdendo batalhas. Impérios inimagináveis ruindo. Nações poderosíssimas perdendo guerras para camponeses e Mujahedins.

No futuro não há espaço para dominação, opressão, exclusão e exploração. Não há isto no futuro. E se não há, é porque foram destruídos no presente. Nós destruímos os dominadores, os opressores e os exploradores. Por isso, eles não estão lá. Eles não fazem parte do futuro. Não fazem parte do novo céu e da nova terra.

As correntes que carregamos foram colocadas, pelos opressores e dominadores, nos nossos antepassados. Eles não as colocaram em nós. Nós herdamos estas correntes de nossos antepassados e as prendemos às nossas vidas. A nossa tolerância diante do mal, a nossa aceitação e colaboração com o mal, a nossa omissão e indiferença é que estabeleceram a dominação, a opressão, a exclusão e a exploração sobre nós.

Os dominadores e opressores somente nos dominam e oprimem porque nós consentimos com a dominação e com a opressão. Somos dóceis. Somos patéticos. Somos resignados diante do mal. Nossos antepassados foram domesticados pela escravidão e nos passaram, culturalmente, a domesticação que receberam. Se não lutamos, eles vencem. Se aceitamos a exploração e não reagimos, eles dominam. Se nos calamos e resignamos, eles oprimem.

Temos que respeitar a vida e as diferenças. Contudo, não podemos respeitar o mal, a dominação, a opressão, as injustiças, as exclusões e as explorações. Quem diz que você tem que respeitar isto é seu inimigo. É uma pessoa que ganha com este sistema. Uma pessoa que está te explorando, oprimindo e dominando.

Os dominadores, opressores e exploradores devem ser destruídos, um por um. Se não quer ser destruído, então não seja um dominador, um opressor e nem um explorador. Respeite os outros, respeita as diferenças, seja justo e faça justiça.

Certamente, aderir a esta luta é uma escolha. Uma escolha entre continuar na escravidão e morrer grudado nela ou, então, morrer lutando pela liberdade, por um novo céu e uma nova terra. Morrer lutando para romper as correntes do mal.

A morte é inevitável. Todos morrem um dia. Mas você pode escolher. Pode morrer como um herói, morrer lutando contra a dominação e a exploração, ou morrer como um covarde resignado.

Devo alertá-lo, porém, que o seu tipo de morte determina o legado que você deixa para os seus descendentes. Pode ser um legado de luta e de reação contra o mal ou pode ser um legado de vergonha e de resignação. Para os seus filhos e netos, para as futuras gerações, se você aceitar o mal e não lutar contra ele, você deixa a mesma escravidão que viveu e a opressão que sofreu, deixa um mundo tão ruim, ou pior, do que quando entrou nele. Se você lutar e reagir contra o mal, lutar contra a dominação, a opressão e a tirania, você deixa um novo céu e uma nova terra, um mundo de liberdade, justiça e paz.

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Por que eles matam negros ?

Porque os negros não reagem. São dóceis e humildes. Foram domesticados pela escravidão. Adotaram a subserviência da escravidão.

No dia em que eles matarem um negro inocente e os negros fizerem um grande levante e destruírem metade da cidade, de todas as cidades, então, eles irão parar de matar negros e começar a prender e a levar para julgamento.

O mal se instala onde encontra colaboradores, omissão, indiferença e medo. O mal foge dos lugares onde encontra reação e resistência, dos lugares onde pode ser destruído. Onde existem Homens de bem que peitam o mal e dizem: "Aqui não !!!

"O diabo é um homem com um plano. O mal verdadeiro é um conluio de homens." Exatamente o que temos hoje.

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Um aspecto é muito exaltado por Arendt nessa obra - Eichmann em Jerusalém, é a solidariedade e a capacidade de resistência à opressão – qualidades raramente encontradas naqueles tempos sombrios – mas quando elas aconteceram, os alemães recuaram.

"Quando [os nazistas] encontraram resistência baseada em princípios, sua 'dureza' se derreteu como manteiga ao sol. [...] O ideal de 'dureza', exceto talvez para uns poucos brutos semi-loucos, não passava de um mito de auto-engano, escondendo um desejo feroz de conformidade a qualquer preço, e isso foi claramente revelado nos julgamentos de Nüremberg, onde os réus se acusavam e traíam mutuamente e juravam ao mundo que sempre 'haviam sido contra aquilo', ou diziam, como faria Eichmann, que seus superiores haviam feito mau uso de suas melhores qualidades. Em Jerusalém, ele acusou 'os poderosos' de ter feito mau uso de sua 'obediência'" – ironizou Arendt.

A Holanda, lembra Arendt, foi o único país da Europa em que os estudantes entraram em greve quando professores judeus foram despedidos, e onde uma onda de greves operárias explodiu como reação à primeira deportação de judeus para os campos de concentração, principalmente de Sobibor. Na Dinamarca, quando os alemães abordaram altos funcionários governamentais para que fosse possível a identificação de judeus por um emblema amarelo no braço, eles simplesmente responderam que nesse caso o rei também usaria a identificação e que se os alemães insistissem haveria uma imediata renúncia generalizada. Segundo Arendt, os nazistas recuaram e foram tratar de criar outros meios para perpetrar seus crimes na região.

(Texto completo aqui)

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Diz Henry Thoreau em "A desobediência civil":

De fato, nenhum homem tem o dever de se dedicar à erradicação de qualquer mal, mesmo o maior dos males; ele pode muito bem ter outras preocupações que o mobilizem. Mas ele tem no mínimo a obrigação de lavar as mãos frente à questão e, no caso de não mais se ocupar dela, de não dar qualquer apoio prático à injustiça. Se me dedico a outras metas e considerações, preciso ao menos verificar se não estou fazendo isso à custa de alguém em cujos ombros esteja sentado. É preciso que eu saia de cima dele para que ele também possa estar livre para fazer as suas considerações. (...)

(...) Há milhares de pessoas cuja opinião é contrária à escravidão e à guerra; apesar disso, nada fazem de eletivo para pôr fim a ambas; dizem-se filhos de Washington e Franklin, mas ficam sentados com as mãos nos bolsos, dizendo não saber o que pode ser feito e nada fazendo; chegam a colocar a questão do livre comércio à frente da questão da liberdade, e ficam quietos lendo as cotações do dia junto com os últimos boletins militares sobre a campanha do México; é possível até que acabem por adormecer durante a leitura. Qual é hoje a cotação do dia de um homem honesto e patriota? Eles hesitam, arrependem-se e às vezes assinam petições, mas nada fazem de sério ou de eletivo. Com muito boa disposição, preferem esperar que outros remedeiem o mal, de forma que nada reste para motivar o seu arrependimento. No melhor dos casos, nada mais farão do que depositar na urna um voto insignificante, cumprimentar timidamente a atitude certa e, de passagem, desejar-lhe boa sorte. Há novecentos e noventa e nove patronos da virtude e apenas um homem virtuoso; mas é mais fácil lidar com o verdadeiro dono de algo do que com seu guardião temporário. (...)

(...) Na maior parte dos casos não há qualquer livre exercício de escolha ou de avaliação moral; ao contrário, estes homens nivelam-se à madeira, à terra e às pedras; e é bem possível que se consigam fabricar bonecos de madeira com o mesmo valor de homens desse tipo. Não são mais respeitáveis do que um espantalho ou um monte de terra. Valem tanto quanto cavalos e cachorros. No entanto, é comum que homens assim sejam apreciados como bons cidadãos. Há outros, como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, funcionários e dirigentes, que servem ao Estado principalmente com a cabeça, e é bem provável que eles sirvam tanto ao Diabo quanto a Deus - sem intenção -, pois raramente se dispõem a fazer distinções morais. Há um número bastante reduzido que serve ao Estado também com a sua consciência; são os heróis, patriotas, mártires, reformadores e homens, que acabam por isso necessariamente resistindo, mais do que servindo; e o Estado trata-os geralmente como inimigos. Um homem sábio só será de fato útil como homem, e não se sujeitará à condição de "barro" a ser moldado para "tapar um buraco e cortar o vento”; ele preferirá deixar esse papel, na pior das hipóteses, para as suas cinzas.

(Texto completo aqui)

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Eu tenho um sonho

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

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O miolo da questão

A escravidão gerou uma elite, uma minoria branca, econômica poderosa que controla e domina tudo. Uma minoria que continua disseminando e usando os costumes da escravidão, pois a riqueza que eles possuem veio da escravidão, seja do trabalho escravo, seja do comércio de escravos.

Uma minoria que, atualmente, escraviza tanto os negros, que são pobres pela escravidão histórica, quanto os brancos que nascem pobres pela exclusão econômica atual.

Uma minoria que domina a política, a burocracia, a economia, enfim, todos níveis do Estado. E não deixa que mudanças essenciais aconteçam. Eles fazem as leis, eles governam, eles aplicam as leis, eles são os juízes, etc, Estão no poder e querem se perpetuar no poder.

Portanto, a questão do racismo é completamente irrelevante, principalmente porque raça não existe. E se existir só há uma: a raça humana. O miolo da questão é a dominação, a opressão, a exclusão e a exploração imposta por uma minoria branca rica sobre uma maioria negra e pobre.

Inclusive o Professor e ex-governador Cláudio Lembro (Site e textos aqui) é uma pessoa de grande visão, entendimento e sabedoria. Mas, mais do que isto, ele tem que coragem de falar a verdade. Não adianta ter grande entendimento e sabedoria e ficar calado ou colaborar com o mal. É preciso falar e falar na lata.

Disse o professor Lembo: "A elite branca deveria olhar menos para o que acontece no exterior e mais para a realidade social do Brasil".

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O exército do crime

Roberto Saturnino Braga -- JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 25.05.2006 – PÁG.29

Senador PT/RJ, é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado

 

Arrefecida a tensão da tragédia de São Paulo, discutem-se intensamente muitos subitens do problema da violência urbana – o uso de celulares nos presídios, as benevolências carcerárias existentes, o agravamento supostamente necessário das penas –, mas ignora-se o fato principal: que o crime organizado dispõe de um exército com grande poder de fogo, comandado por chefes de dentro dos presídios ou por outros que logo os substituem quando eles faltam. O gravíssimo é que existe esse exército organizado capaz de fazer frente à polícia de igual para igual, cessando fogo mediante negociação entre poderes. Isso sem falar do outro exército, também numeroso mas inorgânico, de assaltantes maiores e menores que enchem as ruas das cidades.

Que fenômeno é esse? Que enorme bando é esse de brasileiros que ignoram a lei, o Estado, a República, os valores da moral, da justiça, da humanidade? Como e por que se formou essa legião de bárbaros dentro da sociedade? Como reverter a formação? E como tornar mais eficaz, a curto prazo, nossa polícia para enfrentá-los? Essas são as questões principais que, antes de todas, precisam encontrar resposta.

Houve falta de investimento em educação nas décadas passadas? Evidentemente houve, a constatação é consensual. Houve falta de emprego, falta de oportunidade para uma vida digna? Sim, é outro consenso. Cresceu a massa de pobreza absoluta? Desagregou-se a família, a religião? Sim, também. Esses são fatores efetivamente importantes na formação daquelas legiões. Mas que ainda não explicam tudo a meu juízo. Há que somar outras causas para se ter um efeito tão grande e assustador. Penso, principalmente, no enorme, vasto e profundo sentimento de injustiça que cresceu na alma do nosso povo mais carente e vitimado nos últimos 20 anos. Esse sentimento de injustiça gera ódio nos corações mais agressivos e gera cinismo absoluto, insensibilidade nos mais fracos de caráter. E esse sentimento do povo carente é gerado pela injustiça estrutural e abissal da nossa sociedade e no cinismo com que a nossa “elite branca perversa” (Cláudio Lembo) a encara, achando que é natural, resultante das diferenças de competência e de disposição para o trabalho, decorrente da falta de “competitividade” deles no mercado – os trabalhadores mais pobres – e o mercado tem que ser acatado, ele é que decide, é a racionalidade, não há nada a fazer.

Pois o mercado não decide nada; quem decide é precisamente esse sindicato do cinismo que manda na economia brasileira; eles decidem que é o mercado quem deve decidir, e o povo que se vire. A sociedade, porém, pode decidir, politicamente, que os critérios de distribuição dos frutos do trabalho não são apenas os do mercado e da “competição”, mas também os da justiça, os da solidariedade, os do congraçamento social. Critérios, estes outros, que devem ser implementados pelo Estado, pela sua presença na economia e pelo planejamento, que a elite cínica quer evitar a todo custo, e conseguiu fazê-lo nas décadas perdidas do neoliberalismo.

É claro que esse novo paradigma é viável; trata-se de um confronto político que está acontecendo no país. Se a elite endinheirada e cínica não bota a mão no bolso para ajudar os mais carentes (Cláudio Lembo), o Estado tem de meter a mão no bolso dela, legitimamente, taxando fortunas e ganhos de capital e pagando juros baixos, para investir muito mais na educação, sim, mas também nas favelas, na habitação digna, no saneamento.

Mudar o modelo, eis aí. Encerrar a era neoliberal. É muito difícil, todos sabemos, enfrentar os gigantescos interesses do capital. Mas temos que tentar; junto com a América do Sul, para ficar menos difícil. Dialogando com a França também, que é o único país rico a manifestar resistência àqueles interesses. Enfim, é o principal que temos de fazer, pensando num Brasil mais justo e menos violento.

Mas é evidente que temos que cuidar, de imediato, da eficácia da polícia. Temos que aumentar seus efetivos, que são muito baixos (algo como cinco vezes menos policiais em ação por 1.000 habitantes que nos países ricos). Temos que preparar ainda melhor esses efetivos, como tem feito a Força Nacional; temos que usar mais as tecnologias avançadas, a do geoprocessamento, por exemplo, que permite monitorar todas as ruas da cidade 24 horas por dia. Não entro a fundo nessa discussão porque não sou do ramo, mas é claro que ela é importantíssima – e, a curto prazo, todos dependemos dela.

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Precisamos fazer um rastreamento histórico

Poderíamos fazer um rastreamento histórico para calcular a quantidade, aproximada, de riquezas que os negros produziram, ao longo de centenas de anos de escravidão, e que foi apropriada pelos brancos.

Poderíamos fazer um rastreamento para descobrir onde está esta riquezas, onde estão as famílias que adquiriram e usaram escravos, o que fizeram com a riqueza que acumularam, no que investiram.

Precisamos ver, com exatidão, a partir de que momento os negros, antigos escravos, começaram a estudar... E onde se estabeleceram.

Também temos que ver em que momento os negros começaram a adquirir propriedades, principalmente, terras e de que forma. Eles eram ex-escravos e descendentes de escravos, como conseguiram arranjar recursos para isto ?

Além disso, é preciso ver, após a escravidão, como ficou a questão das terras. Os brancos, pelo que consta, já tinham se apoderado de tudo, restando apenas as terras distantes e inóspitas...

As respostas destas questões mostrarão, exatamente, porque os negros são pobres, porque são analfabetos e porque vivem nas favelas e periferias.

A resposta, certamente, pode ser antecipada: dominação, opressão, exclusão e exploração dos brancos contra os negros.

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Branco não é raça. É cor.

Na discussão da dominação, opressão, exclusão e exploração de uma minoria branca sobre a maioria negra e de pobres, estão tentando levar o tema para o lado do racismo. Racismo ??? Que tipo de racismo ? Não estamos diante de uma questão de raça, a coisa é muito pior e muito maior, estamos diante de uma questão de cor. Cor não se confunde com raça...

Os brancos não se fundem em uma única raça, assim como os negros não são uma única raça. Mais do que isto, existem brancos que são tão explorados, pelos próprios brancos, quanto os negros. Portanto, não há, nesta questão, a discussão de racismo. Inclusive, no Brasil, não é possível discutir racismo, pois aqui todo mundo é vira-lata.

Certamente, vão tentar deslocar a discussão para o tema do racismo. Vão fazer isto para emperrar o negócio e não resolver nada. Vão dizer que a insurgência dos negros contra os brancos é racismo. Vão dizer que os brancos, uma minoria, pode dominar, explorar, oprimir e excluir a maioria da população. Isto é mérito.

Contudo, em um passado próximo, os negros eram escravizados. Tudo o que produziram agregou-se ao patrimônio dos brancos. E o costume da escravidão, assim como a cultura de ver os negros como bobos, serviçais, analfabetos, inferiores, etc, entrou e se perpetuou na sociedade. A identificação está na cor e não em raça.

Um branco nascido na África, que só falava dialetos africanos, adotava todos os costumes africanos, etc, poderia ser escravizado ? A escravidão pode ter começado com uma raça, mas, ao longo do tempo, foi nivelada por um só critério: a cor. E hoje a dominação branca continua se respaldando no mesmo critério, na cor. Os maiores bandidos são brancos. Mas quem vai para a cadeia são os negros.

Se os negros tivessem escravizado os brancos e arrancado tudo o que eles produziram, ao longo de centenas de anos, hoje, estaríamos falando da dominação dos negros sobre os brancos. Os brancos seriam os pobres, os favelados, os analfabetos, os inferiores, etc. A superioridade e a riqueza dos brancos foi construída com o sangue dos negros, com o trabalho dos negros, com o rebaixamento dos negros, com a submissão dos negros, com o holocausto dos negros.

Mas vamos pegar um exemplo pragmático. Eu gosto de pragmatismo. Hoje, se você chegar em um rico tradicional (Forest Gump), não os novos ricos da megasena, ele vai te contar. O meu dodecavô não tinha nada começou do zero. E deixou uma moeda para o meu udecavô. Com uma moeda o meu udecavô comprou uma galinha e deixou de herança para o meu decavô. O meu decavô trabalhou, ganhou outra moeda e comprou um galo. Deixou um galo e uma galinha de herança para o meu nonavô. O meu nonavô com a galinha e o galo poduziu ovos e construiu um galinheiro, deixando tudo de herança para o meu octavô. O meu octavô com a galinha, o galo, o galinheiro e os ovos, aumentou a produção e construiu cinco galinheiros, deixando tudo de herança para o meu septavô. O meu septavô juntou tudo, aumentou a produção, e construiu uma granja e deixou de herança para o meu hexavô. O meu hexavô ampliou o negócio, construiu mais granjas e comprou uma fazenda e deixou para o meu pentavô.

O meu pentavô com estes bens montou uma indústria de ovos e iniciou a engorda e o abate de frangos. Já o meu tetravô não gostava de aves e preferiu começar outro negócio. Ele investiu em cimento. Ampliando os negócios da Família. O meu trisavô não gostava nem de aves e nem de cimento, mas de alumínio. Então ele investiu na montagem de uma fábrica de alumínio. O meu bisavô continuou com o negócio das aves e do gado, investindo pesado na exportação. Coisa que o meu avô não fez, pois gostava mais de tecnologia. Ele investiu pesado em empresas de internet. E meu pai e eu gostamos mais de mercado financeiro. Investimos o dinheiro da família no mercado, mas até hoje ainda temos o galo e a galinha adquiridos pelo meu udecavô e meu decavô, ainda continuam botando ovos. Dizem que esse galo e esta galinha vieram das terras altas, vieram da Escócia. São Highlander.

Agora vamos ver a História dos negros. Dodecavô: escravo. Udecavô: escravo. Decavô: escravo. Nonavô: escravo no galinheiro. Octavô: escravo em 5 galinheiros. Septavô: escravo na granja. Hexavô: escravo na fazenda. Pentavô: escravo na fazenda. Tetravô: escravo na fazenda. Trisavô: escravo na fazenda. Bisavô: livre - trabalhador rural sem-terra. Avô: livre - servente de pedreiro...

Aquilo que a força do trabalho dos negros produziu, ao longo de centenas de anos, foi agregado ao patrimônio dos brancos. Quando a escravidão terminou, os negros foram expulsos das senzalas com uma mão na frente e outra atrás. A única coisa que possuíam era a força de trabalho. A força de trabalho que vendem até hoje. Os negros são pobres, são favelados, são analfabetos, etc, por causa da escravidão dos brancos que os impediu de se desenvolveram, de acessarem as riquezas, de estudarem, de usufruírem daquilo que produziram. Não só impediu, como continuam impedindo.

A dominação dos negros pelos brancos não é uma questão de raça, é uma questão de uma minoria oprimindo, excluindo e explorando uma maioria. Não há embasamento para se falar em raça no Brasil. A dominação está mais baseada na cor, por uma razão histórica, do que na idéia de raça que envolve costumes, língua, religião, etc...

A discussão fundamental é o domínio de uma minoria sobre uma grande maioria. Uma minoria que controla o poder político, o poder econômico e as instituições públicas, impedindo a maioria da população (negros e pobres) de acessarem o poder político, o poder econômico e as instituições públicas. Uma minoria que, para perpetuar a sua dominação, impede a realização de projetos sociais que o apartheid social. O parasita cria mecanismos para perpetuar o parasitismo.

A reparação histórica é mais do que obrigação. É justiça, pois a riqueza que construíram originou-se da escravidão.

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Somente haverá paz, contínua e duradoura, quando houver justiça e for eliminada toda forma de dominação, opressão, exclusão e exploração. Enquanto existir isto, haverá desejo de vingança e pessoas dispostas a iniciar uma guerra para fazer cessar o mal.

O terrorismo é conseqüência da dominação, opressão, exclusão e exploração. O terrorismo não é causa é conseqüência. Além disso, é um meio de luta como judô, karatê, kung fu. Portanto, não se combate o terrorismo, a conseqüência, sem combater as causas. Eliminou as causas, eliminou a conseqüência, eliminou o terrorismo.

Entre a causa e a conseqüência há uma linha do tempo. Uma linha que leva à ação terrorista. Se olharmos para esta linha veremos crianças jogando pedras em tanques, jovens provocando soldados, o ódio se expandido. E o resultado, terrorismo. Contudo, eu pergunto, quanto a guerra ao terror rendeu para as indústrias que fabricam armas e equipamentos anti-terror ? Por isso, as causas não são combatidas...

O capitalismo, dentro da sociedade humana, é um touro desajeitado que entrou em uma loja de cristal e porcelanas.  Não há como tirá-lo. Logo, temos que segurá-lo, controlá-lo e amarrá-lo, etc... Mesmo assim, ele vai fazer um grande estrago. Acho que esta história vai acabar em churrasco dentro da loja. Vamos comer o capitalismo...

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Está chegando a hora de deixar a Universidade e ir para as favelas, para as periferias, para o meio da coletividade. Minha sina não será diferente da sina do meu povo. (Filme: Star Wars I - Ameaça Fantasma). Contudo, antes disso preciso construir e fundamentar a parte espiritual da revolução. É a parte espiritual que leva um homem a lutar e a oferecer a própria vida para o bem de todos, para salvar as futuras gerações. É a parte espiritual que faz um homem amarrar bombas ao próprio corpo e explodir com o inimigo.

Certamente, eu não pretendo construir um fundamento espiritual tão radical e extremo. Mas devo construí-lo de forma que a luta dure enquanto durar a dominação, a opressão, a exploração e as injustiças. Enquanto a igualdade de direitos e condições não forem alcançadas e uma minoria estiver oprimindo  a maioria, a luta tem que durar.

Além disso, o fundamento espiritual tira a importância das lideranças e das pessoas e põe o motivo na realidade. Não lutam pelo Leonildo, ou por fulano ou por sicrano. Lutam porque há uma dominação, uma opressão, a exploração e a escravidão sobre todos. Lutam por si mesmos, por suas consciências, por suas liberdades e para que as próximas gerações nasçam livres e em uma sociedade fundada na justiça, no direito e na vontade da maioria.

Eu não sou importante. A minha pessoa não é importante. Essenciais e necessárias são as minhas idéias e visões. Elas é que mostrarão o rumo e que motivarão a luta, seja por um, dois ou dez mil anos. A vida é passageira. A consciência e as idéias são eternas. Por isso, o que fazemos em vida ecoa na eternidade.

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"Lembre-se, lembre-se, do dia 5 de novembro. A pólvora, a traição e a conspiração. Não vejo razão para que a pólvora da traição jamais seja esquecida.

Mas e o homem ? Sei que se chamava Guy Fawkes. E sei que em 1605 ele tentou explodir as casas do Parlamento. Mas quem ele era na realidade ? Como era ?

Lembramos da idéia totalmente, mas não do homem. Pois um homem pode fracassar. Podem capturá-lo, matá-lo e esquecê-lo. Mas uma idéia, quatrocentos anos depois, ainda pode mudar o mundo.

Presenciei pessoalmente o poder das idéias. Vi pessoas serem mortas em seu nome...e morrerem defendendo-as.

Mas uma idéia não pode ser beijada, tocada ou abraçada. Idéias não sangram, sentem dor, ou amam." (Abertura do Filme V de Vingança)

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Por trás deste movimento deve haver mais do que pele e osso. Tem que haver idéias.  Idéias são a prova de bala. Passam de pessoa para pessoa, de geração para geração, contaminando toda a sociedade. Pode-se matar uma pessoa, mas não se pode matar uma idéia, um propósito, um destino.

"Há mais de cem anos, o poeta alemão Heine advertiu os franceses a não subestimarem o poder das idéias: os conceitos filosóficos alimentados na tranqüilidade do gabinete de um professor poderiam destruir uma civilização. Citou ele a Crítica da Razão Pura, de Kant, como a espada com que fora decapitado o teísmo europeu, e descreveu as obras de Rousseau como a arma ensangüentada que, em mãos de Robespierre, destruíra o antigo regime." (Isaiah Berlin -- Quatro Ensaios sobre a Liberdade).

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V, no filme V de Vingança,  não quer meramente um acerto de contas pessoal. Verdade que ele não esquece e nem perdoa os horrores que viu e sentiu durante os primeiros anos de instalação do regime que agora surge para combater, com direito a experiências genéticas em campos de concentração que não deixavam nada a dever às dos nazistas em sua melhor forma. Mas, se fosse apenas isso, bastaria a ele eliminar os responsáveis pelo seu sofrimento (o que ele, efetivamente, faz — metódica e eficientemente, aliás).

Mas a cruzada de V não se restringe a pessoas. Sua amplitude é muito maior: ele quer matar todo um regime político. Não se conforma com a realidade que o cerca. Não se submete — e não admite que as outras pessoas se submetam. Quer abrir os olhos de seus concidadãos para o fato de que a realidade em que vivem não é a única possível.

Quer mostrar que o povo não deve temer um governo, mas todo governo deve temer o povo. Quer esquartejar a ideologia dos que detêm o poder. Sua vingança, portanto, transcende o mero gosto pelo sangue de seus algozes. E o fato de ele poder unir as duas coisas em sua cruzada, já que seus algozes são todos membros do próprio sistema que ele quer ver eliminado, é apenas uma feliz coincidência.

Ele quer erguer toneladas de poeira, resultado da explosão de tudo o que for um símbolo do poder instituído. Busca, acima de tudo, eliminar um governo por suas próprias mãos. Nenhum passo de V é dado por acaso: ele se preparou durante anos a fio, em várias frentes, matando quem o torturou sem deixar pistas, minando pouco a pouco toda a estrutura do estado policial que o cerca sem ser jamais pressentido, a não ser quando ele mesmo decide que é hora de subir ao palco.

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Eu navego facilmente, tanto no mundo das idéias, quanto no mundo da ação. Inclusive posso criar pontes diretas entre estes dois mundos. Isto significa que eu já tenho os planos que precisamos para a resistência e para a rebelião. Agora é preciso encontrar pessoas leais, comprometidas e dispostas a enfrentarem a dominação e a opressão do sistema. Preciso encontrar Cavaleiros Jedi  naturais que lutem pela Justiça, contra a tirania e contra o império dos grupos dominantes. Pessoas que queiram instalar a verdadeira República no Brasil, assim como restaurar a essência da antiga polis grega. Uma República livre da dominação dos grupos econômicos e dos corruptos. Uma República na qual o povo expresse livremente a sua vontade.

Eu estou pronto para iniciar o movimento e para enfrentar o mal em todos os níveis. Sou leal ao movimento e aos companheiros que entrarem na luta. Não deixaremos ninguém para trás. E aqueles que tombarem ao longo do caminho, como disse Getúlio, "sairão da Vida para entrar na História". Os negros podem iniciar algo novo. Algo que os brancos não podem iniciar, pois estão presos à dominação e corrompidos pelo poder.

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O problema dos pardos se resolve da seguinte forma: pardo pobre é negro; pardo rico é branco. Isto não está sendo imposto, mas proposto. A última palavra no assinto será dado pela consciência de cada um.

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A Câmara e o Senado são brancos, pois os políticos são todos brancos. Logo, a lei que produzem também é branca e representa o que eles pensam, a dominação que eles exercem, a opressão que executam, a exploração que os enriquecem.

A burocracia, a administração pública brasileira, assim como o poder executivo é branco, pois somente são aprovados nos concursos os brancos que dominam as melhores Universidades Públicas ou possuem recursos para pagar os cursinhos caríssimos.

A justiça brasileira é branca. O judiciário brasileiro é branco, pois os juízes brasileiros são brancos. Esta é uma das razões das prisões brasileiras estarem cheias de negros.

A polícia brasileira é branca, pois a maioria dos policiais são brancos. Esta é outra razão dos negros serem as maiores vítimas da polícia, principalmente, nas favelas. O mesmo se aplica aos oficiais graúdos das forças armadas.

Portanto, no Brasil, o executivo, o legislativo e o judiciário são brancos. A força de repressão também é branca. E a maioria da população é negra.

Isto me lembra Esparta na Grécia Antiga. Contudo, Esparta era uma cidade-estado militar. Esta era a única forma de manterem a opressão de uma minoria sobre uma maioria. De acordo com a Wikipedia, "os Hilotas eram os servos, que pertencendo ao estado espartano, trabalhavam nos kleros(lotes de terra), entregando metade das colheitas ao Espartano e eram duramente explorados. Deviam cultivar essa terra a vida inteira e não podiam ser expulsos de seu lugar. Levavam uma vida muito dura, sujeita a humilhações constantes. Foram protagonistas de várias revoltas contra o estado espartano. Para controlar as revoltas e manter os hilotas sob clima de terror, os espartanos organizavam expedições anuais de extermínio (krypteia ou criptias), onde os hilotas eram obrigados a participar. Tratava-se de um massacre anual que consistia na perseguição e morte dos hilotas considerados perigosos, no qual os espartanos competiam para ver quem matava mais hilotas. "(clique aqui para ler o verbete: Esparta)

E no Brasil, como uma minoria branca consegue manter uma violenta dominação e opressão sobre uma grande maioria negra ? A resposta está no conformismo, na resignação. A maioria negra foi domesticada pela escravidão e está passando o costume da resignação, culturalmente, para as gerações seguintes. A maioria negra é uma maioria silenciosa e  conformada. Precisamos quebrar essa cadeia de dominação e opressão e interromper a passagem do costume da escravidão.

É hora de organizar e realizar uma grande rebelião. É hora de fazer valer o princípio democrático e a Constituição Federal que diz: o poder pertence a maioria. Os negros são a maioria.

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Eu não sou o criador da divisão brancos x negros. Eu apenas estou evidenciando uma divisão que foi criada pela escravidão e internalizada na História do Brasil e nas instituições brasileiras. É uma divisão artificial que se tornou costume, virou paradigma e fundamenta, atualmente, a dominação e a opressão.

Os brancos enriqueceram com o sangue dos negros. Não só enriqueceram como se apoderaram de todas as riquezas do Brasil.

Os negros não são pobres porque são preguiçosos ou porque são menos inteligentes. São pobres, miseráveis e analfabetos porque foram escravizados e tudo o que produziram, por centenas de anos, foi agregado ao patrimônio dos brancos e dos europeus. A fortuna dos brancos e dos países ricos é fruto de pirataria, de furto e roubo dos negros, da escravidão dos negros, seja aqui ou seja na África.

Os negros brasileiros são pobres, miseráveis e analfabetos por isto. Porque foram escravizados e porque os brancos se apoderaram de todas as riquezas do Brasil, de todas as terras, enfim, de tudo. Quando libertaram os escravos não lhes deram nada, simplesmente os expulsaram das fazendas com uma mão na frente e outra atrás.

Se os negros tivessem escravizado os brancos e tivessem se apoderado de todas as riquezas do Brasil, hoje estaríamos falando de dominação e opressão dos negros sobre os brancos.

Portanto, a dominação e a opressão que está fundada na cor, tem que ser quebrada pela cor. Chegou a hora dos brancos responderem pelos crimes que cometeram e devolverem a riqueza que roubaram ou construíram com o sangue e o trabalho  dos negros.

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Em cada Favela construiremos uma Palmares. E cada negro será um Zumbi dos Palmares em ação. Agiremos em conjunto e buscando o mesmo objetivo: destruir o poder e as instituições que nos domina, oprime e escraviza há 500 anos. Derrubaremos os grupos dominantes opressores e seus aliados e em seu lugar reconstruiremos a polis ateniense - a Democracia Direta.

Portanto, se nas revoluções o grande problema era saber o que fazer depois de tomar o poder, aqui já temos a resposta: o poder pertence à maioria e será exercido pela maioria,  sem intermediários, sem representações. Porém, continuará existindo um executivo e um judiciário, pois são poderes que não podem ser manejados pela multidão. Contudo, os membros desses poderes serão eleitos e poderão ser destituídos a qualquer momento pela maioria. As leis e todos os atos de grande relevância pública serão aprovados ou rejeitados diretamente pelos cidadãos.

A democracia representativa é a democracia dos grupos dominantes, é parcial, tendenciosa e corrupta. Não representa a maioria e nem representa a vontade popular, mas sim os interesses e a vontade da classe dominante. A democracia direta é legítima, pois representa os interesses e a vontade da maioria. A vontade da maioria é o interesse público e deve ser seguida.

A violência não gera poder. Mas a violência pode destruí-lo. Por isso, na luta contra o poder que domina e oprime, a violência é uma ferramenta necessária.

A minha preocupação era construir instituições para um novo céu e uma nova terra. Contudo, somente haverá um novo céu e uma nova terra quando o velho céu e a velha terra forem limpos da dominação, da opressão e da maldade. Nós nos acostumamos ao mal que está do nosso lado. Nós toleramos e colaboramos com aquilo que temos que destruir. O mal tem que ser destruído.

1- Um Juiz branco não tem competência e nem poder suficiente para impedir os negros de entrarem nas Universidades Públicas;

2- As Universidades Públicas não pertencem aos reitores brancos ou aos grupos dominantes brancos.

3- O Estado, a Administração Pública, enfim, a burocracia, incluindo a Polícia e os Militares, estão nas mãos dos brancos. Por isso, as coisas não mudam. Por isso, massacram os negros.

4- As leis são  feitas por deputados e senadores brancos, são executadas por governantes brancos e fiscalizadas por um judiciário branco. A escravidão nunca terminou. São 500 anos de escravidão, exploração e opressão dos verdadeiros brasileiros.

5- A maioria, os verdadeiros brasileiros, que construíram este país com suor e sangue, são negros. A maioria é negra, é pobre e vive na periferia. Os ricos, a elite, os grupos dominantes são brancos.

6- De onde virá as mudanças que Você espera ? Dos brancos ? Você acha que  a mão que escraviza e explora vai te libertar ? Quantos negros os brancos mataram nestes 500 anos ? E se não agirmos, quantos eles irão matar no futuro ?

E não se enganem, a mídia dominante pertence aos brancos e terá que ser destruída com eles, principalmente, porque a Democracia Direta não funciona onde a mídia quer dominar e constrói as notícias que necessita para defender os seus interesses.

7- São necessários apenas 40 dias. Em 40 dias levamos à decretação de estado de sítio. Em 40 dias paralisamos todas as instituições públicas e capturamos mais da metade das autoridades públicas que apunhalam os negros pelas costas. O que faremos com eles ? Usamos como escudos para as bombas que os militares irão jogar nas periferias.

O poder que domina e oprime é branco. Os líderes negros precisam enxergar o mal que está dizimando a coletividade. O povo negro está sendo dizimado nas favelas e nas periferias. Favelas e periferias que devem ser transformadas em focos de resistência. A resistência tem que ser armada. Novos Zumbi precisam se levantar. Os negros devem se preparar para guerra. É melhor morrer lutando numa guerra pela liberdade, por justiça e igualdade de direitos, uma guerra para tomar de volta aquilo que lhe pertence, do que ser morto pelas costas, pela polícia branca, na porta de um barraco da favela, na porta daquilo que lhe impuseram como casa.

FAÇA JUSTIÇA, MESMO QUE O CÉU DESABE.

Nós somos a esperança.